Luanda Angola- de Julho de 1974 a 21 de Agosto de 1975
Luanda antes de 1975
Esta era a Luanda que encontramos quado aqui chegamos Maio de 1974
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Com a independência pré anunciada, vem a façanha politica, igualzinha em todo o lado do mundo, o MPLA, Movimento para a libertação de Angola", liderado por Agostinho Neto e apoiado Pela Ex. União Soviética, a FNLA," Frente nacional lirbertação de Angola", liderada por Holden Roberto, apoiado pela USA, e a UNITA, " União nacionla para a independência total de Angola", liderada pelo Jonnas Sabimbi, apoiada pela Africa do Sul, com a ganância do poder, desencadearam uma soberba corrida ás armas, do mais sofisticado que havia na altura e que deu origem a uma das mais sangrentas guerras da humanidade, na qual os três movimentos se combatiam entre eles, como vamos poder ver no seguimento das histórias que vamos assistir.
De Albino Lima
Luanda em 1974, antes da guerra civil!
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E foi em meados de Julho de 1974 que entrou «triunfalmente» em Luanda, como se estivesse no mato, com as metralhadoras pesadas em cima das Berliets, eufóricos por vir-mos para a cidade, na altura mal sabíamos nós o que nos esperava!!!!!!
E ficou aquartelada no Agrupamento de Engenharia de Angola até que houvesse instalações no Campo Militar do Grafanil, onde estavam sedeadas todas as companhias. do COTI 1.
Algumas imagens da cidade de Luanda em 1974, antes da Guerra Civil
Baixa de Luanda esta era uma zona que eu pessolamente conhecia desde Março de 1970.
Zona centro
Avenida dos combatentes em 1974
Musseques de Lunda
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E os musseque nos arredores de Luanda, comparados com os bairros de lata em Portugal ou as Favelas brasieleiras.
Foi por aqui que comemos o pão que o diabo amaçou e que deram origen a histórias de arrepeiar!!!
Ex. Alferes Pena
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Desfeitas as duvidas.
E-mail do Ex. Alferes Pena.
Durante a permanência da 1ª. Cart do Bart 6323 nunca mantivemos contactos com qualquer elemento dos Movimentos de Libertação (MPLA ou FNLA - os que operavam na nossa zona de intervenção).
Também nunca distribuímos panfletos a apelar ao que quer que fosse. Se tal aconteceu - e disso não duvido - foi com a CCS (Companhia de Comando e Serviços) ou com a 2ª e 3ª Companhias já depois da nossa saída de Zala em meados de Julho de 1974, para Quicabo e posteriormente, para Luanda, para o Comando Operacional de Tropas de Intervenção Nº. 1 (COTI 1), com a missão de tentar travar a escalada de violência provocada pela expulsão dos comerciantes brancos dos musseques (o equivalente aos nossos bairros da lata ou às favelas brasileiras).
Nós, os oficiais, é que tivemos contacto com um indivíduo mulato, que se dizia Furriel, e que tinha contactos com o MPLA, mas tal nunca de veio a concretizar. Ficámos até com a sensação de que se tratava de «bluf» e com sérias dúvidas de que seria Furriel. Apareceu em Zala numa coluna de reabastecimento, vulgo MVL e por lá ficou quando saímos.
Durante o tempo que estivemos em Zala (de meados de Maio de 1974 a meados de Julho) fizemos operações no mato e escoltas a grupos de combate que iam ser lançados em operações.
Pena
O melhor de Angola
Flores de Angola
Flores de Angola, para que não fiquem tristes, dedico ás meninas!!!
O dinheiro que circulava em Angola em 1974/5
Estas são algumas das notas que circulavam no nosso tempo
Algumas das notas e moedas do Escudo angolano que circulavam na altura em Angola, o Escudo angolano sempre teve um valor inferior ao português, o Escudo angolano valia na altura cerca de 80 cêntimos do escudo Continental, mas com os acontecimentos de violência a aumentarem dia a pós dia o seu valor caia em simultâneo e quando viemos embora em Agosto de 1975, já não valia nada para o exterior





Estas são algumas das notas que circulavam no nosso tempo
Algumas das notas e moedas do Escudo angolano que circulavam na altura em Angola, o Escudo angolano sempre teve um valor inferior ao português, o Escudo angolano valia na altura cerca de 80 cêntimos do escudo Continental, mas com os acontecimentos de violência a aumentarem dia a pós dia o seu valor caia em simultâneo e quando viemos embora em Agosto de 1975, já não valia nada para o exterior!
COTI 1 - Luanda Agosto de 1974
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COTI1 (Comando Operacional de Tropas de Intervenção Nº. 1) era o comando de onde sempre dependemos desde que viemos de Zala para Luanda.
Este Comando estava sedeado dentro do Campo Militar do Garfanil, ficava a cerca de 20 minutos de caro da Cidade!!!
No COTI 1 ( Comando Operacional de Tropas, Nº 1 )
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Porra! Será que sou eu?
Mais pareço um chico de secretaria do que soldado clarim!!!!!
Como eu era praticamente o fotografo oficial da Cart, quase todos os dias ia na Cidade de autocarro= Br. Onibus, normalmente almoçava por lá, e nesta fota vinha a chegar de uma dessas idas!!
Este comando estava sedeado no Campo militar do Garfanil, ficava a alguns minutos de carro da Cidade!
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Quando chegamos a Luanda, ainda era tudo um mar de rosas, havia uma vez por outra algumas picardias ente os negros e os brancos, mas não era nada que nos impedisse de andar-mos pela rua, e usufruir-mos das maravilhas que a cidade nos oferecia para nos divertir-mos, durante o resto do ano de 1974 poderemos dizer que foi tranquilo, ainda que a cada dia os casos de roubos e coisas do género passassem a ser cada vez mais frequentes, visto que os negros já tinham apoio politico mais para o revolcionáro por parte dos respectivos movimentos e que como poderemos imaginar, para eles o branco ou mais precisamente o português era tudo menos gente boa. Mas vou postar imagens das lembranças quando a cidade ainda estava civilizada!!!
Jullho de 1974 na 9ª Esquadra, Luanda, ainda com elementos da incorporação Angolana
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Aqui estão alguns dos elementos do 3º. Grupo de Combate comandado pelo Ex-Furriel Feijó:
Nesta data ainda estavam connosco militares negros da incorporação angolana. Desses já não me lembro dos nomes.
Os outros:
Em cima da esquerda para a direita: Ex-1º. Cabo Enfermeiro Machado, Ex-1º. Cabo Batista, Ex-Furriel Feijó, (não me lembro do nome), Soldado Condutor Custódio.
Em baixo da esquerda para a direita: Ex-Soldado Baltazar, Ex-Soldado Peixoto, Ex-1º. Cabo Silva, Ex-Soldado Afonso, (não me lembro do nome)
Tal como nós em democracia temos o direito apoiar-mos um partido politico, mas ainda antes da guerra começar, estes militares negros angolanos, foi-lhes dada democraticamente a opção de integrarem o moviomento com o qual simpatizavam, MPLA, - FNLA, ou UNITA,
Mal sabiam eles que até aqui eram amigos e depois, passariam a esfolarem-se vivos!!!!
O ACORDO DO ALVOR - 15 de Janeiro de 1975
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Um assunto que me tinha distraído e esquecido, e que já deveria estar postado.
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Em cima, os 3 lideres angolanos, que tinham tanta inteção de respeitar o mesmo acordo, como eu tenho de ir amanhã para a lua!!
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Para saber tudo Clique em WIKIPÈDIA
Acordo do Alvor - Wikipédia, a enciclopédia livre
O ACORDO DO ALVOR
Todos os mal feitores do mesmo!!!
Acordo do Alvor, assinado entre o governo português e os três principais movimentos de libertação de Angola, (MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola,[1] FNLA - Frente Nacional de Libertação de Angola eUNITA - União Nacional para a Independência Total de Angola), em Janeiro de1975, em Alvor, no Algarve, e que estabeleceu os parâmetros para a partilha do poder na ex-colónia entre esse movimentos, após a concessão daindependência de Angola.[2]
Em entrevista à Agência Lusa, o dirigente socialista, António de Almeida Santos, que a 15 de Janeiro de 1975 era ministro da Coordenação Inter-Territorial e integrava a delegação portuguesa que assinou o acordo, refere que, assim que viu o documento, soube que "aquilo não resultaria".[3]
De facto, pouco tempo depois do acordo assinado, os três movimentos envolveram-se em um conflito armado pelo controlo do país e, em especial, da sua capital, Luanda, no que ficou conhecido como a Guerra civil de Angola.
O pessimismo pairava no ar!
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Os semblantes exibem o pessimismo do que estava para acontecer
Ex Capitão Ramiro Pinheiro, Ex Alferes Ramos e o 1º Sargento Felicíssimo Ferreira.
A pior tragédia na 1ª Cart
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A pior tragedia da 1ª Cart.
Nesta altura, eu ainda não fazia escoltas na rua, o meu serviço era interno, e por isso não estava presente, para hoje poder narrar a história com todos os pormenores, pontos e vírgulas, tenho-me empenhado em saber toda a verdade, como tudo começou, algumas coisas me foram relatadas, mas quem as sabia contar com todos os detalhes já cá não estão entre nós, os mortos no local e Ex. Furriel - Álvaro Marinho da Silva, que devido aos factos, regressou com demência profunda, e assim viveu durante cerca de 30 anos, tendo falecido a 13- 01- 2006,
E um camarada que na altura foi sequestrado, João Maneiras Marmou, mas as poucas vezes que tive oportunidade de falar com ele sobre o assunto, sempre notei que não gosta de lembrar o caso e ponto final.
Foi no dia 4 de Fevereiro de 1975, no mercado de São Paulo, na avenida do Brasil,Luanda - Angola,
O que me foi relatado até agora.
Nesse dia 4 de Fevereiro, um motorista civil branco atropelou um uma criança negra, como é sabido, nessa altura os ânimos andavam em alvoroço e a mais pequena coisa dava origem a barbaridades de selvajaria, casos como este dava origem à justiça ou injustiça popular, aí se instalou uma grande confusão, onde a população local queriam retalhar o motorista, que entretanto se tinha refugiado numa casa, mas foi cercado, deitaram fogo na casa e caminhão e na sequência lá foi chamado um pelotão da 1ª Cart 6323, comandado pelo Ex. Alferes Santos, e que em tal situação delicada o comandante da Cart, Ex. Capitão Ramiro Pinheiro, fazia-se estar presente.
O capitão Ramiro Pinheiro era um homem de paz, pelas poucas coisas que ouvi de camaradas sobre o assunto, no momento estava única e simplesmente a pedir calma com as mãos no ar, quando foi atingido por uma rajada, no mesmo instante em que sucedia o mesmo ao ex Alferes Santos, outro homem que se pudesse flutuar, ele o faria para não pisar as formigas,
Ramiro Pinheiro deixou uma jovem viúva e dois filhos, o mais novo dois meses mais velho do que o meu filho mais velho.
O Ex Alferes António Santos, tinha viagem marcada para dois dias depois vir selebrar o seu casamento, não deixou descendentes.
Texto de Albino Lima
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Sobre esta tragédia
O Ex- Alferes Pena escreveu:
Sinto uma certa dificuldade em falar do meu Ex-Capitão Ramiro Pinheiro.
Ramiro Pinheiro era um homem com uma inteligência acima da média, abnegado, visionário e voluntarioso.
Era licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico, onde era Assistente antes de ingressar no serviço militar obrigatório.
Era jogador de andebol do Sporting Club de Portugal.
Tinha uma vida perfeitamente estabilizada antes do serviço militar.
E foi este HOMEM BOM que se cruzou no meu caminho como meu Comandante de Companhia.
Tínhamos concepções diferentes do «modus operandi» no meio de uma pré-guerra civil instalada em Luanda em Julho de 1974.
Era um pacifista e conciliador por natureza, enquanto eu e o Ex-Alferes Passeira éramos mais realistas. O Ex-Alferes Ramos ficava-se pelo meio termo. Com o Ex-Capitão Ramiro Pinheiro alinhava o Ex-Alferes Santos.
Tivemos algumas divergências apesar da amizade que nos unia.
Cheguei-lhe a dizer que com o tipo de negros com que nos deparávamos no dia a dia nos musseques eu só tinha uma linguagem que era a da minha G3 - isto após muitas situações de conflito ou «maca» que tivemos que enfrentar e nas quais não fomos envolvidos pela multidão, porque essa era uma regra de ouro: nunca nos deixarmos cercar.
O Ex-Capitão Ramiro Pinheiro talvez por desconhecimento continuava ingénuo e crédulo que com o diálogo os problemas se resolviam todos.
E daí o ter-se deixado envolver no meio de uma confusão junto ao Mercado de S. Paulo e que, devido à presença de elementos armados do MPLA mal preparados, mal formados, amedrontados e em pânico, dispararam indiscriminadamente sobre os nossos militares, tendo o Ex-Capitão Ramiro e o Ex-Alferes Santos sido mortos quando tentavam uma conciliação.
A ele talvez deva o facto de estar hoje vivo. É que segundos antes de ele ter sido atingido mortalmente eu passei pelo local onde ele estava e a multidão ao ver mais militares nossos enfureceu-se e lembro-me perfeitamente de ele me ter dito:
- Fuja daqui.
A minha sorte é que estávamos num Unimog 404 a gasolina (de arranque rápido) e perante dois indivíduos com a farda de caqui do MPLA a cruzarem as armas à frente da viatura, com o intuito de nos barrarem a saída, eu só tive tempo de dizer ao soldado condutor Cascabulho:
- Acelera e sai daqui.
Quando chegámos à Rua António Enes ouvimos disparos vindos do local de onde havíamos saído, mas nunca suspeitámos que fossem tiros disparados contra os nossos camaradas.
Quando, passados uns cinco minutos volto a passar pelo local já a multidão tinha dispersado e recebi a notícia que o Ex-Capitão Ramiro Pinheiro e o Ex-Alferes Santos tinham sido feridos mortalmente e que o Capitão Figueiredo dos Comandos, que também se encontrava no local, tinha ido em estado grave para o Hospital Militar. Havia, dos graduados presentes, escapado o furriel que se abrigou atrás do pneu do Unimog.
Senti a maior raiva, o maior ódio e a maior sede de vingança que alguma vez senti na vida.
Todas as Companhias do COTI 1 aquarteladas no Grafanil ficaram a saber do sucedido via rádio e imediatamente quiseram sair do quartel para efectuar a retaliação.
Foram proibidas pelo Estado Maior General de o fazer.
E a nós - os militares da 1ª CArt do 6323 - puseram-nos distribuídos de modo a não podermos juntos vingar a morte dos nossos camaradas.
Lembra-me que fiquei numas bombas de combustível da Shell ao fundo da António Enes e antes da linha do caminho de ferro que nos separava do Cazenga.
Porém antes de sermos «acorrentados» parei junto à fábrica da JOMAR. Aparece-me um indíviduo com a farda do MPLA, armado com uma Kalashnikov, e, quando pára o o Unimog, o sujeito, completamente possesso e com os olhos a saltarem-lhe das órbitas, começa a gritar com a arma apontada para mim:
- Asassinos... assassinos...
Com a maior calma possível, para uma ocasião delicada e até hoje única, e o maior sangue frio (trazia apenas uma Valter de 9 mm na cintura e uma varita de madeira na mão direita) salto rapidamente do Unimog e, sem nunca deixar de lhe olhar olhos nos olhos e de verificar o menor gesto do dedo no gatilho, digo-lhe:
- Então, camarada, o que se passa? Acabo de chegar e não sei o que se passa. Há algum problema?
E ele continua a gritar:
- Assassinos...
Enquanto vou falando com ele vou-me aproximando dele e, quando ele me deixa chegar junto de si, deito a mão direita à Kalash e com a esquerda agarro-o pelo pescoço imobilizando-o. Entretando os soldados saltam do Unimog e tomam-conta dele.
Nessa noite teve um acidente na estrada do Cacuaco e entregou, por ironia do destino, a alma ao Criador e nunca mais voltou a ameaçar com qualquer arma nenhum camarada nosso.
Não me lembro de quem foi dar a notícia da fatídica morte do nosso ex-Capitão à sua esposa que estava a viver há pouco tempo com ele em Luanda.
Sei que foi o meu grupo de combate (o 3º.) a prestar-lhe as honras fúnebres na Capela do cemitério da Estrada de Catete, porque me lembra perfeitamente que tive que dar umas sessões de manuseamento de armas a relembrar como se fazia o funeral armas.
Paz à sua alma e hoje, a 34 anos de distância, chego à conclusão que a guerra é completamente cega: não escolhe entre os bons e os maus. Porque se tal axioma não fosse verdade o Ex-Capitão Ramiro Pinheiro e o Ex-Alferes Santos (do meu curso de oficiais), ainda hoje poderiam estar entre nós.
Pena
Do Ex Alferes Pena,
Novo texto sobre o assunto,
Com o decorrer dos anos a memória vai-se perdendo - allás nada mais natural.
Mas, quando escrevi sobre a morte do Capitão, não me recordava do nome do furriel sobrevivente ileso (até porque sendo da mesma «fornada» de oficiais e sargentos saídos da Escola Prática de Artilharia de Julho a Setembro de 1973), éramos tantos que quase se tornava impossível saber o nome de todos.
Mesmo na nossa Companhia, sempre privávamos mais com os do nosso Grupo de Combate - no meu caso, com o Feijó e o Pedrosa, visto o Pinto da Silva me ter sido «roubado» para a Secretaria.
O Silva (de boa e santa memória) agora lembro-me perfeitamente dele e tenho a sua imagem de bonomia na minha mente. Era um ente pacífico (à imagem do seu comandante de Grupo de Combate - o falecido Alferes Santos - meu colega de curso de oficiais da EPA).
Volto a repetir o que já escrevi anteriormente (e faço-o deveras emocionado e com alguma raiva e revolta): o Silva foi abandonado por um Estado que nos sugou o sangue, o melhor de nós (a nossa juventude) e nos abandonou.
os mais forte resistiram... os mais fracos (devido às circunstâncias vividas sucumbiram). Foi o caso do Silva.
Olha, Silva. as lágrimas que chorei ao escrever isto que sirvam de alívio ao teu penar neta terra e neste Portugal ingrato em que viveste e , nós os sobreviventes, ainda continuamos a viver até que a morte nos liberte de todos os sofrimentos passados, presente e futuros.
Era esta homenagem simples, mas muito sentida que te queria deixar.
Onde estiveres, Silva, descansa em Paz.
Para ti os sofrimentos já não existem. enquanto nós (uns mais do que outros) vamos continuando a carregar sobre os nosso ombros - o fardo e os traumas duma guerra que nunca foi a nossa, mas que honrámos até ao despir da farda. Pena
Notícias de um jornal local de Lunada, a 5 de Fevereiro de 1974
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Este é o lugar onde o seu texto começa. Pode clicar aqui e começar a digitar. Aut odit aut fugit sed quia consequuntur magni dolores eos qui ratione voluptatem sequi nesciunt neque porro quisquam est qui dolorem ipsum quia dolor sit amet consectetur adipisci.
Ex-Alferes António Santos (morto em combate)
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Este é um assunto tão delicado, que não encontrarei palavras para descrever o que de facto tencionaria para este comentário.
Porque, mesmo que queira ser forte para tal, não consigo sem ficar comovido e não tenho vergonha de dizer sempre que quero escrever sobre ele acabo com a lágrima no olho, por isso tenho adiado, adiado, poderei dizer até evitado fazer comentários sobre o falecido ex. Alferes Santos.
Tenho procurado saber de alguém pertencente à sua família, mas só cheguei até à triste noticia que era filho único e os pais já tinham falecido.
Foi certamente o homem do planeta mais mal escolhido para fazer guerra, tenho a certeza que se pudesse flutuar ele o faria para não pisar as formigas.
Por vezes sinto dificuldade em entender, se há tanto desgraçado que vem a este mundo só com intuição de fazer mal e nada mais fazem do que isso vive a vida inteira a praticar a maldade e nada de mal lhes acontece.
Poderia contar algumas histórias sobre o medo que ele tinha de morrer mas essas ficam apenas comigo.
Também não vou lembrar a Deus sobre sua alma porque se de facto há um paraíso no Céu o meu amigo está lá.
De ex. Soldado clarim Albino Lima
Uma homenagem a este herói, Ex Furriel Alvaro da Silva
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Este camarada, foi dos que não suportou os traumas dos efeitos da guerra, regressou completamente demente, chegou a andar a diambular pelas ruas de Barcelos.
Ainda andei em Barcelos a procurar a familia mas sem sucesso,
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Eu já tinha ligado para a junta de freguesia a que ele pertencia e já sabia do seu falecimento, mas não sabia a data, assim fica mais completo, também tinha feito um artigo sobre o seu passado, e as causas da sua morte mas infelizmente nem todas as verdades se podem dizer.
Fica aqui o registo da data do seu falecimento. 13- 01- 2006Noticia enviada pelo camarada Aires Mesquita.
Obrigada Aires e Aquele abraço.
Lima
___________________________________________________________________________________Mais uma história que eu desconhecia, agora aqui desvendada pelo meu eterno amigo, camarada,ex. comandante do meu pelotão nesta maldia guerra, ex Alferes Pena.Obrigada Pena!!
Um dia destes vou respirar fundo, e colocar de novo este herói em destaque, com uma dramática história que me foi relatada, entre ele e a policia local de Barcelos!
Um abraçoLima
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1 Comentário(s)
Pena
Sun 03 Apr 2011 09:45
Hoje, e à distância de 36 anos, não me admira que o Silva tivesse regressado sériamente afectado nas suas capacidades mentais.
É que ele viu morrer ao seu lado o Capitão Ramiro Pinheiro e o Alferes Santos no dia 4 de Fevereiro de 1975 no Mercado de S. Paulo. Foi ele o furriel que se abrigou atrás do pneu do jeep e escapou com vida. Foi o único graduado a sair ileso.
Na altura reagiu, mas as mazelas psicológicas ficaram a moer dentro dele.
E, pergunto: onde estava o apoio psicológico?
Não existia.
Todos nós que por lá passámos sabemos que sempre fomos atirados às feras e abandonados por nossa conta e risco à sorte e ao fatídico destino duma guerra que não era a nossa.
Pena~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
2 comentário
Pena
Sun 03 Apr 2011 16:23
Com o decorrer dos anos a memória vai-se perdendo - allás nada mais natural.
Mas, quando escrevi sobre a morte do Capitão, não me recordava do nome do furriel sobrevivente ileso (até porque sendo da mesma «fornada» de oficiais e sargentos saídos da Escola Prática de Artilharia de Julho a Setembro de 1973), éramos tantos que quase se tornava impossível saber o nome de todos.
Mesmo na nossa Companhia, sempre privávamos mais com os do nosso Grupo de Combate - no meu caso, com o Feijó e o Pedrosa, visto o Pinto da Silva me ter sido «roubado» para a Secretaria.
O Silva (de boa e santa memória) agora lembro-me perfeitamente dele e tenho a sua imagem de bonomia na minha mente. Era um ente pacífico (à imagem do seu comandante de Grupo de Combate - o falecido Alferes Santos - meu colega de curso de oficiais da EPA).
Volto a repetir o que já escrevi anteriormente (e faço-o deveras emocionado e com alguma raiva e revolta): o Silva foi abandonado por um Estado que nos sugou o sangue, o melhor de nós (a nossa juventude) e nos abandonou.
os mais forte resistiram... os mais fracos (devido às circunstâncias vividas sucumbiram). Foi o caso do Silva.
Olha, Silva. as lágrimas que chorei ao escrever isto que sirvam de alívio ao teu penar neta terra e neste Portugal ingrato em que viveste e , nós os sobreviventes, ainda continuamos a viver até que a morte nos liberte de todos os sofrimentos passados, presente e futuros.
Era esta homenagem simples, mas muito sentida que te queria deixar.
Onde estiveres, Silva, descansa em Paz.
Para ti os sofrimentos já não existem. enquanto nós (uns mais do que outros) vamos continuando a carregar sobre os nosso ombros - o fardo e os traumas duma guerra que nunca foi a nossa, mas que honrámos até ao despir da farda.
Pena
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De certa forma todos os militares que andaram envolvidos em guerras, uns com mais outros com menos gravidade, mas todos viemos doentes, a demência não foi a única doença que por lá adquirimos, mas a que mais se fez sentir foi a alteração do temperamento, que se aniquilou, centenas de casamentos, e milhares de lares destruídos etc, eu também não estou isento!
O nosso camarada ex. Furriel Álvaro Silva, foi um dos que veio completamente demente, agora, 36 anos depois, graças á memória e desvendada história do ex. Alferes Pena, ficamos a saber quais as razões e o porquê de ele vir assim, pois claro se fosse eu que tivesse em seu lugar, certamente não seria diferente, e teria sido eu que teria deambulado pelas ruas da amargura!!!
Mas o que me leva a vir escrever este texto, é pegar em algumas palavras do ex Alferes Pena e adiantar. Este camarada ex. Furriel Silva, não ficou doido porque quis, agora sabemos mais umas verdades.
E o que segundo me contaram, de uma ocorrência passada entre ele a policia da cidade de Barcelos, não sei mesmo explicar se a guerra para ele não teria sido melhor ficar lá como o Capitão Ramiro e o Alferes Santos.
Pois segundo me contaram o falecido Álvaro Silva, em plena hora de loucura parece que entrou dentro de um estabelecimento qualquer e começou a fazer desordem, gritando que aquilo era tudo dele e então alguém chamou a policia e os mesmos heróis resolveram o problema á cacetada, acabando com o resto que sobrou do nosso camarada Álvaro Silva, juro que isto daria me tema para escrever um livro, mas tal como o Pena, também eu estou a escrever e de lágrima no olho, a lembrar-me o que a nossa geração passou, o que nós fizemos para que as gerações seguintes se livrassem de cair naquela possa de sangue.
Não vou dizer que os livramos a eles os tais heróis de ficarem assim, se lá fossem, pois com tal acto de bravura mostraram ter sangue frio suficiente para suportar coisas como o falecido Álvaro não conseguiu suportar, ou talvez quem sabe a sua valentia se resumisse a cagarem-se e mijarem-se pelas pernas a baixo.
Que Deus te dê a paz onde estás, Alvaro,
a que não tiveste cá na terra, amigo
De Albino Lima
João Maneiras Marmou, ex-1º. Cabo Clarim.
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Desde que foi formada a 1ª CArt, em Évora, no extinto R.A.L. 3, convivi de muito perto com ele, pois éramos os dois clarins: ele cabo e eu soldado. Talvez por isso, e não desfazendo nos restantes, logo me apercebi que ele era um camaradão, e fomos amigos inseparáveis até ao fim da campanha!!
E esta é mais uma daquelas trágicas historias que ninguém neste mundo não quereria passar, foi no dia em que foram mortos o nosso ex. Capitão Ramiro e o nosso ex. Alferes Santos, no dia 4 de Fevereiro e este camarada, junto com outro que peço desculpa não me lembrar o nome, mas penso ter sido um camarada apelidado de Évora, foram os dois sequestrados, pelos guerrilheiros do M.P.L.A. e ficaram sequestrados dois dias, Julgo que foi o nosso camarada ex. Alferes Pena que os foi buscar à delegação do M.P.L.A.
Como eu vim para Portugal logo no dia seguinte em férias, ou seja no dia 5, não me apercebi do que estava a acontecer, as mortes do ex. Capitão Ramiro e do ex. Alferes Santos dominavam todas atenções e todas as conversas, mas quando voltei, conheci um outro Jaão Marmou, o rapaz não era mais o mesmo e foi aí que me inteirei do que lhe tinha acontecido, para alem de ter sido sequetrado é dos unicos ainda vivos que teve o azar deassistir á chacina.
Até ao fim da campanha, por mais que tentássemos trazê-lo de volta à sua alegria natural, não tivemos êxito, sempre se tentou refugiar nos porquês de toda aquela trapalhada e nós mais uma vez a interrogarmo-nos o porquê de tanta humilhação e nada ser feito para evitar novos acontecimentos idênticos.
Na altura certa voltarei a falar do Marmou, sobre a nossa vida por cá!!
De Albino lima
No dia seguinte da tragédia da morte dos dois oficiais vim de ferias a Portugal
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5 de Fevereiro de 1975.
Este foi o dia em que conheci o meu filho mais velho, na altura com dois meses e meio.
Podemos ver o meu semblante carregado de emoções, uma mistura de alegria com outra metade de tristeza, tinha deixado todos os camaradas em pleno inferno, baralhados de confusões e agitação, dois dias antes tinham sido assassinados o nosso Capitão Ramiro e o Alferes Santos e mais dois camaradas sequestrados pelo MPLA.
E ali estava eu com o rebento nos braços, certamente a pensar que era apenas um mês e depois lá voltaria para toda aquela confusão, lembro me perfeitamente que me custou muito mais a voltar do que quando fomos a primeira vez, só em lembrar fico sem vontade de prlongar o texto.
È por estas e por outras que hoje reconheço que nem sempre a minha tola bate certo.
Hoje, 36 anos passados, se lhe falar-mos isto, para eles são histórias do passado, e sem significado!!!
O Local onde estava o RAL 3, em Evora
Aqui era a porta de armas, ainda fiz aqui alguns serviços de clarim dia,
Eu estou a tentar postar os artigos por ordem e em sequência, por isso este artigo vou postar mas temporariamente, depois colocarei em of, para a posterioridade e na altura certa as recolocar on line , e vou postar pelo facto de ter passado perto de Évora e quer acreditem ou não, eu fui a este local de propósito para fotografar e filmar o local para as postar aqui, carolices da idade!!!,
Ficamos pouco tempo e Evora porque é um local que já foi visitado várias veses e que estão para ser postados em sequência!
Era aqui que estava instalado o extinto RAL 3, (Regimento de Artilharia Ligeira Nº 3) foi aqui que foi formada a 1ª Cart 6323 e foi daqui que saímos no dia 13 de Maio de 1974 para Angola.
Este edifício é agora uma fracção da Universidade de Évora, isto é fiquei a saber que a universidade está dividida em vários locais.
Tive a oportunidade de falar com um aluno que por coincidência é daqui perto de mim (Torres Vedras) meia hora de carro, e para eles, os estudantes, este fragmento da Universidade continua a ser chamado de quartel, o que achei interessante pois já fez 37 anos que o quartel foi extinto!!!
Quem conheceu isto diria que nada mudou, do outro lada da rua continuam lá os cafezinhos, na altura frequantdos pelos militares, agora pelos estudantes!!
As coisas que eu já vivi - 11 de Março de 1975 - Video Parte 1
Terminadas as minhas férias,
Na altura, não era só em Angola que o povo andava em alvoroço, também aqui em Portugal havia desordem em todas as áreas, o povo de um lado, as forças armadas do outro, e no dia que estava marcada a viagem de regresso a Angola (11 de Março de 1975), fizeram mais uma tentativa de golpe de estado.
Senti-me como bola de ping pong, entre duas guerras, na altura, confuso, qual delas a pior, se em Angola sabia o como era, aqui era o meu país, onde estava toda a minha familia e ver também estas cenas, não foi nada, nada animador, imaginar o começo de uma guerra civil aqui também, felizmente que ficou apenas por uma pequena escaramuça, como se pode ver, os homens entenderam-se e rápidamente foi saneada, obs, ou o homem estava mais que nervoso, ou o pá estava mais que na moda e era prenunciada, pá pra lá, pá pra cá, tudo bem pá, eu tó pá e tu pá !!
A viagem foi adiada e fui no dia 13, cheguei a Luanda no dia 14 de madrugada!!
Obs, o quartel que foi bombardeado, foi o antigo RAFF. Em Queluz, onde estive quatro meses a tirar a especialidade de Clarim!
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Chegado a Luanda- 14 de Março de 1975
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E regressado a Luanda.
Com dois dias de atraso, logo que o capitão substituo do capitão falecido Ramiro Pinheiro, capitão de do quadro de Infantaria, António Almendra, abriu o seu escritório, aprecei-me a apresentar-me e explicar a razão do meu atraso, mais ou menos já sabia que também a partir dali a minha vida não seria a mesma, o capitão era meu desconhecido, o meu lugar estava preenchido por outro e também não seria justo de o tirar de lá para eu reentrar, entendi perfeitamente a ordem de ir levantar uma arma e apresentar-me ao Alferes Pena, comandante do 3º grupo de combate, como disse entendi e na verdade até fiquei satisfeito com a ordenação, pois a partir dali sabia que a vida era dura, mas tinha mais hipótese de fazer o que gostava, fotografar os momentos mais dramáticos, que até então não tinha tido essa oportunidade, chegadinho de madrugada e logo pelas nove da manhã lá estava eu de cartuchos, cantil e à namoradinha abraçado para passear-mos agarradinhos e sempre inerentes, nos musseques de Luanda!!!!
De Albino Lima
O fotografo
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A viver e a sentir o conflito
De camuflado com cinturão o cantil e os cartuchos,
Bala alojada de arma segura e olhar atento,
Haja pó, faça frio e caia chuva,
O cacimbo, ou faça vento.
E a mosquitada a castigar o meu rosto,
O que é normal em clima tropical,
A yashicka faz parte do meu equipamento,
Mas continuo firme, no meu posto.
Poderá parecer esquisito e até loucura,
A reportar o conflito da paz que se desterra,
Atentamente passo os olhos pela rua,
Em cada esquina já só vejo sinais de guerra.
Nesta desgraça faço minha esta aventura,
Seja noite, madrugada, ou seja dia,
Espero a hora exacta, mas com bravura,
Para conseguir uma boa fotografia.
Nos momentos mais difíceis lá no musseque,
Não dou conta do perigo nem do cansaço,
Dou o salto do unimogue em andamento,
Para correr a traz do ladrãozinho moleque.
Lá no mosseque, no meio de tempestade,
De arma em punho mas a yashycka sempre pronta,
Como se fosse um repórter de verdade,
Para hora certa conseguir uma foto bem tirada.
Se tudo pode parecer irresponsável,
Por toda esta minha ousadia,
Mas cá guerra também há momentos de alegria,
E de alegria também podemos sorrir.
E a sorrir muita pose foi tirada,
E se a saudade é a nossa maior tortura,
Mas muita foto para as famílias é mandada,
Então jamais poderá ter sido uma loucura.
De Ex- Soldado - Albino Lima
Em escolta nos musseques de Luanda Angola - 1975
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Foto enviada pelo Ex Soldado Manuel dos Santos
Nos musseques de Luanda
Estes bairros de lata, eram semelhantes ás favelas no Brasil, mas menos povoados ou seja favelas em miniatura, habitadas sómente por pessoas de origem Africana!!!
Dia a dia aumentavam os cenários assim como estes em Luanda - Angola 1975
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Certamente todos nós nos recordamos desta imagem, ficava na estrada Luanda - COTI 1, do nosso lado esquerdo neste mesmo sentido e pela qual passavamos todos os dias.
Tinha sido um estabelicimento comercial, foi acupada pela FNLA, e depois o MPLA deixou assim!!!
Teria sido mais um estabelecimento comercial, virou delagação da UNITA e depois não sei se foi o MPLA ou a FNLA que a deixou assim!
Uma delegação da U N I T A no Pica Pau: LUANDA
Ex-Alferes Pena, Bairro Marçal Luanda (Angola) 1975
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Ex Alferes Pena, comandante do meu grupo de combate 3º Poletão
Contemplando a dez andares do chão, início do Bairro Marçal os invólucros das munições de armas pesadas utilizadas na guerra civil de Luanda entre o MPLA e a FNLA e a UNITA.
Fotos com as célebres forças integradas, Luanda 1975
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Em Cima, foto enviada Pelo Ex 1º Cabo Mário Fontes
Da esquerda para a direita
Ex Sol. - João Teixeira Leite, Ex 1º Cabo - Mário Fontes, um elemento da UNITA, não lembro o neme , Ex. Fur - Constantino Rompante Dias, um elemento da UNITA, Ex. Sol: - Manuel Meireles, não sei quem è e em Baixo ? ? José Castro ? e David Simôes
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Estas forças integradas, foi uma cocordata entre o nosso estado maior e os dirigentes dos três movimentos em colocarem uns quantos militares de cada movimento numa só viatura, para as escoltas serem feitas em conjunto e não haver a tentação de se atacarem mutuamente, mas foi mais um fracaço porque nem assim eles deixaram do fazer.
De pé na viatura não lembro o nome
Ex. Soldao Manuel dos Santos a ser auxiliado por um elemento da FNLA
Ex.Soldao Leandro Peixoto , Ex. Soldado António Cascabulho, um elemento da FNLA e um elemento da UNITA. Se reparar-mos , não se vêem elementos do MPLA, porque eram os mauzinhos da fita, tanto para os outros movimentos como para nós próprios depois dos assassinatos dos dois oficiais e sequestro dos militares portugueses, nós sempre ficamos com um pé em guarda para com eles!!
Com as «célebres» F.I. (Forças Integradas) Luanda 1975
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Nesta fotografia pode-se ver o Ex-Alferes Pena e o Baltazar num patrulhamento da «célebres» F.I. (Forças Integradas), que éramos três ou quatro de nós e o dobro de indíviduos com a farda da UNITA, do MPLA e da FNLA.
Ex Alferes Pena escreveu
Estas Forças Integradas foram um fracasso dos nossos comandantes, porque nunca funcionaram. Se se estava numa zona de maior influência da FNLA não podíamos levar para aí os indivíduos do MPLA e vice-versa. A UNITA esssa era tolerada. E tivemos que ser nós - após o ataque ao Hospital de S. Paulo - a impormo-nos e dizer: Não fazemos mais patrulhamentos a não ser sózinhos. Isto, porque não tínhamos confiança na preparação dos indíduos dos movimentos que nos acompanhavam e porque em caso de ser a «doer» nunca sabíamos quandos eles se viravam era contra nós.
Dentro do princípio de «Mais vale só do que mal acompanhado» continuámos a nossa missão sózinhos, mas alegres e contentes...
Luanda 1975 - Em momentos mais descontraídos.
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Em cima, não lembro o nome, Paulo Afonso, Adérito Afonso, Baltazar Oliveira, Leandro Peixoto, os outros dois não lembro o nome.
Em baixo, João Beja e eu
Foto enviada pelo Ex 1º Cabo Joaquim Oliveira
Em pose para o Limagni dolores eos qui ratione voluptatem sequi nesciunt neque porro quisquam est qui dolorem ipsum quia dolor sit amet consectetur adipisci.
A Namorada
Agora não sei como é, mas no meu tempo havia leis militares tão ridículas como isto, um militar que fosse morto em combate e que sua arma desaparecesse, o cadáver do mesmo ficava detido até a arma aparecer.
Fiz este texto a pensar num rapaz, o meu grande amigo Baltazar de Oliveira, era do meu pelotão, este soldado deixou roubar a arma a sua G 3 e ficou o resto do tempo detido em Angola, veio embora para cá connosco mas detido , felizmente que quando veio o regime já era outro e segundo sei foi embora para casa em liberdade.
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A Namorada
Com apenas 21 anos de idade,
De paixões quase nada sabia,
Brindaram-me com esta beldade,
Que nem sequer a conhecia.
Já tinha tido algumas namoradas,
E uma ou outra que me fugia,
Mas que não podia deixar roubar,
Esta, era a única que eu sabia.
Senti que não era a mais desejada,
Porque não foi por mim escolhida,
Mas era a única que até agora,
Não podia ser perdida,
Em vez de pele macia,
Era dura e não era bonita,
Quando a abraçava com força,
Batia em meu peito e doía.
Em vez de amável e quente,
Era rude e sua face era fria,
Dormia com ela na cama,
Mas nem uma palavra dizia.
Mas como nos tempos de outrora,
Nem sempre a noiva era a que se elegia,
Fiz dela a minha primeira-dama,
Com quem na cama, eu dormia,
Quando em serviço, saia para a rua
Com ela saia abraçado,
Já era tamanho este amor,
Que tinha orgulho em ser o seu namorado.
Se por uma qualquer razão,
Deixava de a ter na mão e a poder apalpar,
O meu ciúme era tanto,
Que não deixava de a olhar,
Mesmo a ser maltratada,
Tornou-se uma amante querida,
Sujeitou se à vida dura,
Para salvar a minha vida.
Até o perigo acabar,
O nosso amor era lindo,
Quando já estava a salvo,
Mandei-a embora sorrindo.
Quando há amantes sem sorte,
O dela foi um exemplo que em nada mudou,
Até nesta hora ela foi forte,
Quando este romance acabou.
Era de uma família gigante,
Mas não sei a idade que tinha
Nem o homem que a fez
Nem o seu número me lembro,
O seu apelido " G 3
Do ex soldado Albino Lima
Palácio do governador - Luanda 1975
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Na foto em cima está o ex. Soldado Mário Deitado e mais dois militares que não me lembro dos nomes!
Aqui era o palácio do governador, onde as pessoas começaram a refugiar-se e a acampar nos arredores de qualquer jeito, pensavam ficar mais seguras.
Devo-vos a vida
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Artigo enviado pelo Ex Alferes Pena
Esta era uma foto que andava quase em todas as mãos.
Não sei se o que está escrito na foto é verdade, mas que em certas ocasiões estes utensílios ajudaram muito, ajudaram!!!!
O tiro que nunca quis dar
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Rui Pereira ex-Soldado Atirador escreveu:
Um dia fomos chamados para irmos ao bairro Alvalade, onde havia um prédio de gente branca a viver, que estavam a ser atacados pela F N L A.
Éramos comandados pelo saudoso Ex- Furriel Zêzere Martins.
Eu, ao ouvir os gritos das pessoas e das crianças emocionei-me duma maneira que subi ao terceiro andar e disparei uma rajada de G 3 contra os guerrilheiros da F.N.L.A..
Passados uns 5 minutos ouvi a ambulância a vir buscar a pessoa que eu tinha atingido com a rajada.
De repente vem o Zêzere Martins e diz-me:
- Pereira, foste tu que disparaste a rajada?
Eu disse-lhe que sim, que tinha sido eu.
E diz-me o Zêzere Martins para mim:
- Pede a uma pessoa que te deixe ir a uma casa de banho e passa o cano da G 3 por água, pois os guerreiros da F N.L.A estão lá em baixo e querem saber quem disparou a rajada que matou um soldado deles.
Os guerrilheiros da F.N.L.A subiram o prédio para apalpar os canos das nossas G3 e, como não havia nenhum cano aquecido pelo disparo, foram-se embora convencidos que tinha sido um disparo dum civil.
Foi o maior susto que eu apanhei na minha vida e também a única pessoa que eu matei e que nunca vou esquecer.
O meu pelotão, Musseques Luanda " Angola". - 1975
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Esta era a estrada da lixeira.
Aqui eu devo ter pedido a alguém para tirar a foto pois eu estou sentado junto da cabine.
a na nossa retaguarda, todo o mundo está atento, e o fotografo lima, atento á foto.
O meu pelotão
Um grupo destemido, patrulha o musseque
Rasgando a sanzala de lado a lado e de lés a lés
E quando o beco não tem mais saída
Pelo tacto procuramos o rumo da avenida
Quando a noite cai debatesse a angustia
Cansados tentamos dormir
O meio escuro da noite é iluminado pela bala tracejante
Ou em resposta a bala que passa a zumbir
Em meio do caos, os choros abafados,
Vindos dos prédios do lado, fazem poesia
Só o zumbir dos mosquitos seguidas das suas picadas
Nos faz distrair, daquela triste melodia
Além de pilantras descalços
Que fazem sua própria guerra
No gladiar do crime da molecada ligeira,
Fazem do roubo a sua própria bandeira
Tem homem armado, por toda a esquina
Clima pesado que se instala na gente
Sonho camuflado na ingenuidade de quem acredita
Que o perigo não é tão eminente
Está longe o futuro que reflecte a esperança da paz
Mostrando a dura realidade que nos destroça
Quantas famílias já perderam a confiança
Que tinham em nós até algum tempo a traz
Enquanto existem sapatos pisando em tapete persa
Nós dormimos fardados no meio da calçada
No chão, o nosso semblante é de ar infeliz
Marcas do sofrimento e realidade perversa
A lagarta que se abeira até junta da manta
A que e nos faz de colchão para evitar a pedra fria
Sem sabermos da sua destreza
Durante horas nos faz companhia
A ratazana que entre nós deitados no chão
Ziguezagueia com a sua natural ligeireza
Com ar de orgulho como a querer nos dizer
Vocês aqui são o lixo e eu sou uma princesa
Vêm a madrugada e com ela as necessidades da natureza
De calças na mão procuramos um canto
Mas que droga, que droga de vida é esta
Que até para isto é preciso sorte e esperteza
De regresso ao quartel tomamos um banho
Refrescamos a mente e já folgados
Vamos à rua para o meio de gente branca
Somos repelidos só por sermos soldados
E hoje meu amigo meu irmão camarada
Os clamores que te dão são tudo o que se vê
De quem tudo exigem mas ninguém te dá nada
E quando a saúde já não te favorece
Eu sei, tu sabes, nós sabemos "porquê"
De ex- Soldado Crarim: Alnino Lima
Localização do RCA e do Hospital de S. Paulo
Artigo elaborado pelo Ex Alferes Pena.
Tanto o RCA como o Hospital de S. Paulo e o Universitário se situavam na Av. do Brasil em lados opostos.
A FNLA ocupava os prédios no início da Avenida.
O MPLA ocupava o Rádio Clube de Angola
A UNITA ocupava algo mais modesto, para o lado direito do Hospital!!!!
O dia mais Terrível da minha vida , Ataque ao Hospital de S. Paulo, Luanda 1975
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Fotos que tirei logo de seguida , após o ataque!!!
Texto do Ex-Alferes Pena, com alguns acrecentos meus
Na Avenida do Brasil, existiam uma série de edifícios muito altos e com algum espaço entre eles.
No início da Avenida, do lado esquerdo e direito, ficavam prédios de habitação muito altos, ocupados pela FNLA.
A seguir situava-se o Rádio Clube de Angola, do lado direito, para quem seguia em direcção ao Rangel, ocupado pelo MPLA.
Depois estava o Hospital de São Paulo e o Universitário, do lado esquerdo, onde um grupo de combate das companhias do COTI 1, da qual fazia parte a 1ª CArt do BArt 6323 era colocado, em sistema de rotatividade, para que este não corresse o risco de ser ocupado por nenhum dos movimentos (MPLA, FNLA ou UNITA). Isto, porque havia indicação dos serviços de informação que qualquer dos movimentos pretendia ocupar o Hospital de S. Paulo para fazer dele o seu quartel general.
Mais abaixo estava uma delegação da UNITA.
Todos faziam, de vez enquando, troca de tiros e de outros «mimos» entre si.
A gente já conhecia as armas pelo som dos disparos. Uma noite começámos a ouvir um som novo. E ficámos intrigados. Não era de PPSH (usada pelo MPLA), não era de Kalashnikov (usada pele FNLA e pelo MPLA), não era de G3 (usada por nós e pela UNITA, com as armas que os nossos altos comandos lhe forneceram). Não era som de metralhadora pesada - essa fazia mais barulho. Então que raio de arma seria? No dia seguinte de manhã ao passarmos junto à delegação da UNITA vemos os indivíduos armados com as G3 sem tapa-chamas. Estava descoberto o mistério da nova arma - G3 sem tapa chamas.
No meio deste fogo cruzado ficava o Hospital de S. Paulo.
Neste dia era o 3º grupo de combate, da 1ª. CArt do BArt 6323, comandado pelo Ex-Alferes Pena, que estava responsável pela segurança.
Logo após o «piquenique» do almoço, aí pelas 14 horas, estava o Lima, no jardim à entrada do Hospital, com mais alguns camaradas, que tinham ido almoçar no 1º turno, quando este começa a ser atingido com uma série de roquetadas. O Ex-alferes Pena havia acabado de chegar de almoçar do R.I. 20 nesse preciso momento e só teve tempo, ele os camaradas que vinham com ele, de saltar da Berliet e abrigarem-se atrás dos pneus.
Aqueles que tinham almoçado antes (isto porque tinham que se render uns aos outros para que a segurança não fosse desguarnecida) e já estavam dentro dos muros do Hospital, como era o caso do Lima, estavam totalmente desabrigados em pleno jardim, junto à rotunda que dividia o acesso ao Hospital de S. Paulo e ao Universitário.
Ficaram todos intrigados, perplexos por não terem onde se abrigar e incrédulos pelo que estava a acontecer. Só se abrissem um buraco com o nariz para meterem a cabeça é que conseguiriam um abrigo naquele local. Deitaram-se no chão e sentiam os ramos das árvores a cairem-lhes em cima, cortados pelos estilhaços das granadas dos roquetes. O Ex-Alferes Pena e o radiotelegrafista Deitado, atrás de um pneu da Berliet, tentavam em vão entrar em contacto com a Sala de Operações do COTI 1. Mas nas alturas de aflição o Racal TR 28 nunca funcionava e foi o que aconteceu mais uma vez.
O ataque foi breve e preciso. Durou menos de um minuto.
Acabada a série de roquetadas, começa-se a ouvir toda a gente aos gritos dentro do Hospital. Correram todos para ver os estragos e tentar ajudar aquela gente.
O cenário era desolador, terrífico e só próprio de filmes de terror: As pessoas gritavam, atropelavam-se umas às outras para tentar fugir o mais depressa dali. E o pessoal de serviço (médicos, enfermeiros e auxiliares) andava numa azáfama a transportar os feridos e alguns já mortos para as salas de tratamento e operações, com toda a gente aos gritos e completamente em pânico. E nós a tentarmos acalmar aquela gente ainda devemos ter sido apelidados de malucos e de não termos sentimentos, porque só gritávamos para terem calma.
Uma rapariga que pensamos que estava a escrever à máquina, quando foi atingida na cabeça, deixa pedaços de couro cabeludo salpicados por todo o lado e ainda assistimos ao corpo a ser puxado deixando um rasto de sangue pelo chão (como se pode ver na foto de cima).
E enquanto os restantes tentam acalmar aquela multidão em pânico, o Lima com a sua Yashica regista as únicas fotografias, em cima do acontecimento, para a posteridade.
Acalmados os ânimos e ao fazermos um balanço chegamos à conclusão que as roquetadas tinham vindo do MPLA, porque a FNLA encontrava-se muito distante para atingir o Hospital com tanta violência.
E mais uma vez nossos blindados tinham sido os nossos camuflados de pano.
Nessa noite aí pelas 22 hora entrou um blindado com «chicos» do Estado Maior General. Um coronel sai e pergunta pelo comandante do grupo de combate responsável pela segurança. Como o Ex-Alferes Pena estava no interior do Hospital alguém o foi chamar.
Engraçado... ele fê-lo esperar que se lixou, porque nós tínhamos levado com o ataque de camuflado e sua Ex.cia aparecia para «cagar duas lamponas» de blindado, quando tudo já estava calmo e sereno. E só apareceu oito horas depois do ataque.
Eram assim os nossos oficiais do quadro permanente do Estado Maior General.
Esta noite foi uma noite terrível a tirar os feridos, em estado de coma, dos pavilhões que ficavam por trás do Hospital, para o Hospital Maria Pia com as balas tracejantes a rasgarem o céu escuro como breu...
Nos dias seguintes os feridos com menos gravidade também foram todos transferidos para o Hospital Maria Pia que ficou a rebentar pelas costuras e com a morgue com pilhas de mortos a saírem da porta, já em decomposição e a exalarem um cheiro putrefacto.
A partir de então o Hospital ficou inoperacional, mas nós e as restantes compaanhias do COTI 1 continuaram a garantir a sua segurança.
E apetece interrogarmo-nos: quem ataca um Hospital que moral tem?
Quais são os seus princípios? Quais são os valores que defende?
E foi essa gente que ficou a tomar conta dos destinos de Angola.
O resultado viu-se «a posteriori»...
De António Pena
E Albino lima
Dr Carlos Tavares
Mon 03 Oct 2011 00:22
Prezado Senhor
Conheço bem a situação, pois fazia em 1975 era médico residente e no Maria Pia, realmente foi de ficar em panico, ver todas as situações desesperadoras e nada poder fazer a não ser tratar dentro do possivel quem necessitava de ajuda. se tiver mais fotos por favor me envie.
Um grande abraço.
Carlos Tavares
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guerreirosdapazMon 03 Oct 2011 17:26
Boa tarde Sr. Tavares.
È com grande satisfação que recebo esclarecimentos de outras fontes, coma a sua. Não é que sejam recordações agradáveis mas foram acontecimentos reais que não podemos comutar, eu duvido que venha a ter outras fotos, porque era eu quem as tirava na minha companhia era eu o único que tinha máquina fotográfica, mas se a caso vier a receber de alguém eu colocarei aqui, o mesmo lhe peço eu se tiver alguma coisa para comentar e o queira fazer teria todo o gosto em postar aqui.
Desde já o meu muito obrigado
Albino Lima
Edifício do Rádio Clube de Angola, H. São Paulo, Luanda 1975
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Este é o edifício do Rádio Clube de Angola. como se pode ver, tambem ele já perfurado por roquetadas expelidas pelos outors movimentos.
Era um edifício com cerca de 20 andares
Do lado esquerdo estavam os prédios de habitação ocupados pela FNLA.
Do lado direito ficava o hospital. Que nos pisos superiores do qual, podia-mos ver o fundo desta dita vala em todo o comprimento.
De Albino Lima
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Algumas horas após o ataque ao Hospital.
Já perto da noite, subi aos pisos mais altos do edifício e estava sozinho num dos últimos pisos e vejo uma quantidade de guerrilheiros, entrincheirados ao redor do edifício do rádio clube de Angola, nas valas de escoamento das chuvas.
Tinha a certeza serem os autores da proeza.
Ainda hoje não sei encontrar as palavras certas para expressar o que sentia naquele momento, se medo, raiva, ódio, ou uma salada russa de tudo isto, mas lembro-me de sentir na boca um sabor estranho já mais experimentado, era algo parecido com papel queimado.
Dali, rastejei até a aba da varanda, coloquei a minha G3 em posição de rajada e já quase a cometer o maior disparate da minha vida, que carregaria em pesadelo maior até ao ultimo segunda da minha existência, foi então que um pombo dejectou em cima da minha cabeça,
Quem sabe se, o pobre infeliz ofereceu a vida para evitar uma tragédia na 1ª Cart, e a maior estupidez de toda a minha vida, então coloquei a arma em posição de tiro a tiro e matei o inocente com o único tiro que dei em Angola.
Acredite quem quiser, o pingo teima em brotar, coisas da idade, talvez e vou parar, !!!
Algumas fotos tiradas depois do ataque ao hospital!! Luanda 1975
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Em Cima, O Ex soldado Adérito Afonso, deste camarada nada mais e soube dele, mas esta foto está em casa de um grande nº de camaradas, incluindo eu.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~Que três «engenheiros de obras feitas» a avaliar os prejuízos do ataque ao Hospital de S. Paulo...(Foto enviada por Mário Deitado)Mário Deitado, Machado e João Beja
Seria mais fácil e simpático se dissesse que andei a distribuir bolinha de chocolate!!
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Pois é meus amigos/as, seria para mim muito mais fácil e pareceria mais simpático, se eu dissesse que andei por lá apenas a distribuir balinha e bolinha de chocolate, e provavelmente hoje não teria recordações menos felizes, mas infelizmente não foi bem assim, muitas outras vezes ao ver pessoas a serem arrastadas, agredidas, mortas etc, não sei dizer quantas vezes cheguei a colocar o dedo no gatilho, mas felizmente nunca o pressionei, em vez disso corria que nem louco a trás dos bandidos e quantas vezes a arriscar a própria vida metido dentro dos becos, onde toda a gente com ou sem razão estaria de certo contra mim e com muita vontade de fazer-me o que eu não tivera coragem de fazer, outras vezes a acudir as pessoas machucadas enquanto os bandidos se escondiam e tomavam fôlego para uma nova investida.
Vou lembrar que aos poucos todas as pessoas de raça branca foram despejadas das suas casas, suas lojas, negócios etc.
Com violência sem limites imagináveis.
De Albino Lima
Luanda 1975, Hospital Maria Pia ( Morgue )
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Hospital Maria Pia, Luanda 1975
Nos ultimos dias da nossa campanha já a morgue do Hospital Maria Pia ficou a ficou rebentar pelas costuras e com com pilhas de cadáveres a saírem da porta, já em decomposição e a exalarem um cheiro putrefacto.
O tempo passou, e ao longo de muitos anos fiz tudo para esquecer que que tinha andado metido nisto, na verdade sem nunca o ter conseguido.
Mas há momentos que precisamos de desabafar, e não há ninguém melhor para o fazermos do que aqueles que isto viveram, e que tem as suas coisas para contar e que nos sabem ouvir.
Porque aqueles que tiveram a felicidade de se livrarem deste pesadelo até pensam que são histórias mal contadas, e por vezes com conversas até irritantes,
Há alguns dias estava a conversar com um camarada (O David ) disse-me, tu não foste só um soldado tu foste um repórter de guerra, se não fosses tu hoje não tínhamos a maoir parte destas recordações.
Não são grandes recordações é um facto!, mas elas estão connosco e dificilmente se apagaram das nossas memórias enquanto neste mundo estivermos,
Confesso que quando poste estas coisas fico mal humorado por algum tempo e nem dá para escrever grandes coisas.
Texto de Albino Lima
EX. Alferes Pena escreveu.
Esta era a casa mortuária do Hospital Maria Pia, onde os mortos se apinhavam até à porta.
Porque outros que eram recolhidos nos carros do lixo da Câmara Municipal iam directamenta para valas comuns, onde uma buldozer os tapava com terra imediatamente.
Nós - os desgraçados e vítyimas de tudo isto - andávamos a proteger os carros do lixo com máscaras feitas com um lenço embebido em água, porque outro tipo de máscaras não havia.
Quando havia tiroteio entre a FNLA, a UNITA e o MPLA já sabíamos a sorte que nos esperava nos dias seguintes: proteger os carros do lixo que iam recolher as centenas de civis mortos.
Pena
Fim de campanha - RI 20, Luanda Agosto de 19
Esta foto foi tirada pouco antes de virmos embora,
Ainda que a grande maioria das fotos, tenham sido enviadas por outros camaradas, foi clara a falta de participação dos mesmos, a grande maioria porque não tem meios, uns porque não querem nem saber, outros porque não querem nem lembrar, estou a lembrar-me do Ex. 1º Cabo João Marmou que foi sequestrado pelo MPLA, na tragédia da morte do Capitão Ramiro e Do ex. Alferes Santos, já tentei algumas vezes falar com ele sobre o assunto mas como dizem os meus amigos brasileiros, o papo fica furado.
Por isso tenho a certeza que muitas histórias ficam por descrever, todavia continuamos à espera de encontrar camaradas ainda com paradeiro desconhecido e que se disponham a narrar as suas peripécias.
Dos outros 3 (três) grupos de combate.
Só o Ex Soldado atirador Rui Alfredo da Costa Pereira que era do 2º Grupo de combate teve a coragem de narrar uma história bastante dramática, com o titulo, o tiro que nunca quis dar e por isso lhe quero dar os meus parabéns pela coragem.
De resto praticamente não temos nada, até mesmo as fotos, como eu era o único que tirava fotografias, dos outros grupos só temos dentro do quartel, fotos tiradas na rua não temos nada, e é evidente que não foi só o meu grupo que sofreu e andou metido no inferno.
Visto que só o ex. Alferes Pena e eu se dispusemos a narrar esta peleja, como éramos os dois do mesmo grupo de combate, ficamos ainda mais submetidos aos mesmos acontecimentos, ainda que como é óbvio, o ex. Alferes Pena, com estudos e graduado oficial, tenha uma visão superior, mais clara e com mais facilidade de as expressar, não só pelas relações que tinha com o comando do estado-maior e com os outros oficiais, mas também porque era ele o comandante do grupo, eu era apenas soldado com o ensino básico.
As minhas histórias da guerra terminam aqui, mas a luta vai continuar.
1º em busca de novos camaradas ainda com paradeiro desconhecido e com outros acontecimentos bem mais alegres e menos difíceis de postar aqui.
Texto do ex. Soldado Albino Lima.
Cidade de Luanda ( Poema) Despedida
Cidade de Luanda
Luanda cidade sideral,
Com os seus moldes quase perfeitos,
Enches a alma dos mais requintados,
Linda cidade da Africa Austral.
Esse sol puro das manhãs douradas,
Não mais escutarás as vozes do povo,
Cheios de esperança com alegres algazarras,
Vivendo a alegria de conquistar um mundo novo.
Hinos trovantes que sussurram da brisa do mar,
Vindos de bordo ao chegar ou a zarpar,
A cantilena que todos sabíamos de cor,
Que os capitães de bordo mandavam tocar.
Angola é nossa é nossa é nossa
Ó povo heróico Português
Num esforço estóico outra vez
Tens de lutar, vencer e esmagar, esmagar. etc,
Encantadas passagens a indagar a tua baia,
Quando eu te amava, então jovem formosa,
Em tua marginal os teu seios desfolhava,
Tinhas olhar de ternura, meiga e charmosa.
Rosa enjeitada, doce saudosa morena,
De tope decotado, paradigma tropical,
Igual à nuvem que o vento seduz,
Menina tropicana de fonte Indígena.
Acordaste em sobressalto, com um pesadelo real,
Com sons imitando trovões, vindos de toda esquina,
Parecias robusta mas ficaste tão débil,
E foste violada ainda menina.
Do passado vives as tuas oferendas,
Foste despojada de teus sonhos,
Que em perfumes de saudade,
Tuas tristes mágoas hoje lamentas.
No meio de tantas picardias,
Já nem eu me excluo de tamanha cobardia,
E abandono-te entregue ao teu destino,
Sem querer saber, o que sem mim tu farias.
Quero saudar teus mágicos fulgores,
Adeus formosa ilha do lado poente,
Maviosa inspiras saudades,
Adeus Luanda, adeus, adeus até sempre.
De Ex - Combatente: Albino Lima
Cacimbo a mais ou a inalação da exalação dos óbitos,
O desenho foi enviado pelo Ex. Soldado António Osório.
Dois elementos da 1 Cart vieram com demência profunda, outros com lacunas de menor senso, não é de modo algum regozijo, que eu possa dizer que voltei com a mente pura ou a 100% salutar, certamente não, porque se de facto tivesse sã, não pensava tantas vezes na desventura que tive em ter nascido no ano de 1952, se tenho esperado pelo ano 1953, tudo seria tão diferente!!!
De Albino Lima
O que sucedeu nos meses anteriores à independência de Angola
Alguns factos são posteriores ao nosso regresso a Portugal em 21 de Agosto de 1975, mas outros vivemo-los e sentimo-los na carne.
A minha sina em Angola ainda não havia terminado!!!, O que fazer após o regresso?
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Após o regresso.
O que fazer ?
È claro que cada um seguiu o seu caminho, uns procuraram nova vida e outros como no meu caso procurei o serviço que tinha quando me chamaram para o serviço militar, eu tinha um mês para me apresentar ao serviço, da empresa de onde saíra, mas como o meu serviço era marítimo, sabia que quando me apresentasse poderia ser colocado num navio e partir de imediato para uma viagem mais ou menos longa, então apeteceu-me ficar mais uns dias em casa e o que é que eu fiz, emendei a data da licença militar para poder embarcar.
Naquele tempo era assim.
Após mais de dois anos, cumprindo o serviço militar e um longo tempo a ouvir as balas a zumbir ainda tive de pagar uma licença militar para poder trabalhar.
Na altura mil e tal escudos como se pode ver nos selos da imagem, mil escudos eté pode não parecer nada mas na altura era quase meio mês de salário, hoje quando ouço a juventude a choramingar por tudo e por nada, sou eu que sinto vontade de chorar.
Como eu tinha emendado a data da licença.
Quando me apresentei na companhia CTM,( Companhia de Transportes Maritimos), ia com um certo receio que reparassem e me tramassem, mas a emenda estava tão bem feita nem deram por nada, para meu espanto, dizem-me de supetão, está um navio à tua espera em Leixões , tens de estar lá às 8 horas da noite, olhei para o relógio e deveria ser cerca de meio-dia, eu disse lhes mas nem de táxi eu me responsabilizo porque ainda tenho que ir a casa arrumar as malas e naquele tempo de Caldas da Rainha a Leixões eram umas 6 horas de viagem.
Foi então que me senti por algumas horas alguém importante, puseram à minha disposição um carro de executivo com motorista às minhas ordens, as recomendações de rapidez eram tantas que na altura nem perguntei para onde ia o navio, isso falarei mais adiante, fui então a casa almocei enquanto me arrumavam as malas e lá fomos, como eu previa já passava muito das 8 horas quando chegamos, subi as escadas do navio, soltaram as amarras o navio saio e acabaram as minhas 8 horas de executivo.
Devo dizer que sou patriota, porque sou extremamente teimoso e tenho o dom, mas razões, não tenho nenhumas de o ser!!!
- E foi a 10 de Outubro de 1975
- Como já disso este navio estava mesmo à minha espera e assim
- que entrei ele deu a partida e foi já lá dentro que fiquei a saber que
- ia para Angola.
- Caso para dizer, a minha curta experiência de executivo tinha que
- se lhe dissesse.
- E foi assim, chegados a Angola, como na altura ninguém fazia
- nada a não ser guerra, ficamos por lá muito ao largo quase dois meses, quando se deu a independência estávamos lá.
- Até que os mantimentos acabarem e fomos para a Africa do Sul
- meter mantimentos.
- Por coincidência o Comandante era o mesmo que andava no navio
- Lobito no qual eu saí quando eu desembarquei para ir para a tropa.
- Um verdadeiro Sr. Bom homem o Sr. Leça da Veiga:
- Ai eu fui falar com ele e expus lhe o meu problema, que tinha
- saído da quela trapalhada havia apenas três meses, e se eu
- poderia ser rendido na Africa do Sul.
- O meu pedido foi aceite e Fui de avião de Cap Town com escalas
- em Johannesgurg, Paris e cheguei a Lisboa a 26 de Dezembro de
- 1975, Foi já em Lisboa que fiquei a saber que o meu pedido foi
- aceite também porque tinha um montão de férias para gozar de
- tempo de trabalho ainda antes de ir para o seviço militar e segundo
- os novos contratos após 25 de Abril niguem podia estar com férias
- acomoladas:
Agradecimentos a quem devemos parabenizar pelo esforço e empenho que teve ao longo de muitos anos para localizar os camaradas sumidos.

Mário Francisco Deitado
1994
Passados alguns anos, cada um com a vida que o destino lhe traçara, uns emigrados em diversos países do mundo, outros que por cá ficaram, espalhados pelos quatro cantos de Portugal, e eu na altura continuava embarcado, passava mais tempo no mar que em Portugal.
Até que alguém se lembrou de começar a localizar a rapaziada para os juntar em almoços de convívios,
Deve-se a quem devemos reconhecer o sucesso do seu empenho, é ele Mário Deitado, segundo sei, foi o que mais se dedicou a esta causa e a quem devemos agradecer e parabenizar.
Fiquei a saber que também fui procurado na altura pelo camarada Manuel Meireles que chegou a ir a minha casa à minha procura, mas para não variar, na altura eu andava na minha vida, no mar.
E a partir de agora vou começar a postar as imagens e vídeos dos convívios, desde o início até aos dias de hoje.
Pelas imagens que tenho o primeiro convívio foi em Coimbra a 29 de Novembro de 1994, nessa altura estava eu a viver no Brasil
Pasra seguir o percurso dos guereiros da paz. entra na página CONVIVIOS...


























































